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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008



A 28 de Dezembro de 2008 um bispo húngaro, D.Lajos Varga, bispo auxiliar da VCA,na Hungria celebrou pela primeira vez a Missa Tridentina :é assim o primeiro Prelado corajoso do seu país a dar uma resposta ao Motu Proprio de Sua Santidade, o Papa Bento XVI


Outras fotos da Missa Pontifical Tridendina celebrada pelo Núncio de Sua Santidade na Hungria no final das Jornadas sobre a Liturgia Tradicional oferecida pelo Papa Bento XVI com o Motu Proprio a toda a Igreja



Vésperas solenes na Basílica de Santo Estêvão em Budapeste após o 1º dia das Jornadas


Missa Tridentina na Igreja de Nª Sªda Asunção em Budapeste

Missa Tridentina solene na Igreja de S.Teresa de Ávila em Budapeste

Temos estas fotos vindas da Hungria onde em finais de agosto de 2008 houve umas Jornadas dedicadas à Missa Tridentina , as quais foram seguidas com muito interesse e que vem assim relançar o Novo Movimento Litúrgico iniciado pelo Papa Bento XVI com o Motu Proprio Summorum Pontificum ,num país onde há dezenas de anos não se celebrava a Missa Tridentina e que agora estão entusiasmados por essa possibilidade que o Papa Bento XVI oferece a todo o povo cristão de celebrar os divinos mistérios na liturgia de sempre da Igreja católica e que é a Missa Tridentina.

Fonte:New Liturgical Movement


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ

1 DE JANEIRO DE 2009

COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ

1. Desejo, também no início deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los a reflectir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. Já o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões negativas que acaba por ter sobre a paz a situação de pobreza em que versam populações inteiras. De facto, a pobreza encontra-se frequentemente entre os factores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados.

Estes últimos, por sua vez, alimentam trágicas situações de pobreza. « Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior – escrevia João Paulo II –, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas.

Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, consequentemente, comprometem o autêntico e harmónico progresso da comunidade mundial ».(1)



Bento XVI
2. Neste contexto, combater a pobreza implica uma análise atenta do fenómeno complexo que é a globalização. Tal análise é já importante do ponto de vista metodológico, porque convida a pôr em prática o fruto das pesquisas realizadas pelos economistas e sociólogos sobre tantos aspectos da pobreza.

Mas a evocação da globalização deveria revestir também um significado espiritual e moral, solicitando a olhar os pobres bem cientes da perspectiva que todos somos participantes de um único projecto divino: chamados a constituir uma única família, na qual todos – indivíduos, povos e nações – regulem o seu comportamento segundo os princípios de fraternidade e responsabilidade.

Em tal perspectiva, é preciso ter uma visão ampla e articulada da pobreza. Se esta fosse apenas material, para iluminar as suas principais características, seriam suficientes as ciências sociais que nos ajudam a medir os fenómenos baseados sobretudo em dados de tipo quantitativo.

Sabemos porém que existem pobrezas imateriais, isto é, que não são consequência directa e automática de carências materiais. Por exemplo, nas sociedades ricas e avançadas, existem fenómenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual: trata-se de pessoas desorientadas interiormente, que, apesar do bem-estar económico, vivem diversas formas de transtorno.

Penso, por um lado, no chamado « subdesenvolvimento moral » (2) e, por outro, nas consequências negativas do « superdesenvolvimento ».(3) Não esqueço também que muitas vezes, nas sociedades chamadas « pobres », o crescimento económico é entravado por impedimentos culturais, que não permitem uma conveniente utilização dos recursos. Seja como for, não restam dúvidas de que toda a forma de pobreza imposta tem, na sua raiz, a falta de respeito pela dignidade transcendente da pessoa humana.

Quando o homem não é visto na integridade da sua vocação e não se respeitam as exigências duma verdadeira « ecologia humana »,(4) desencadeiam-se também as dinâmicas perversas da pobreza, como é evidente em alguns âmbitos sobre os quais passo a deter brevemente a minha atenção.


Bento XVI

Pobreza e implicações morais

3. A pobreza aparece muitas vezes associada, como se fosse sua causa, com o desenvolvimento demográfico. Em consequência disso, realizam-se campanhas de redução da natalidade, promovidas a nível internacional, até com métodos que não respeitam a dignidade da mulher nem o direito dos esposos a decidirem responsavelmente o número dos filhos (5) e que muitas vezes – facto ainda mais grave – não respeitam sequer o direito à vida. O extermínio de milhões de nascituros, em nome da luta à pobreza, constitui na realidade a eliminação dos mais pobres dentre os seres humanos.

Contra tal presunção, fala o dado seguinte: enquanto, em 1981, cerca de 40% da população mundial vivia abaixo da linha de pobreza absoluta, hoje tal percentagem aparece substancialmente reduzida a metade, tendo saído da pobreza populações caracterizadas precisamente por um incremento demográfico notável. O dado agora assinalado põe em evidência que existiriam os recursos para se resolver o problema da pobreza, mesmo no caso de um crescimento da população.

E não se há-de esquecer que, desde o fim da segunda guerra mundial até hoje, a população da terra cresceu quatro mil milhões e tal fenómeno diz respeito, em larga medida, a países que surgiram recentemente na cena internacional como novas potências económicas e conheceram um rápido desenvolvimento graças precisamente ao elevado número dos seus habitantes.

Além disso, dentre as nações que mais se desenvolveram, aquelas que detêm maiores índices de natalidade gozam de melhores potencialidades de progresso. Por outras palavras, a população confirma-se como uma riqueza e não como um factor de pobreza.

Bento XVI

4. Outro âmbito de preocupação são as pandemias, como por exemplo a malária, a tuberculose e a SIDA, pois, na medida em que atingem os sectores produtivos da população, influem enormemente no agravamento das condições gerais do país. As tentativas para travar as consequências destas doenças na população nem sempre alcançam resultados significativos. E sucede além disso que os países afectados por algumas dessas pandemias se vêem, ao querer enfrentá-las, sujeitos a chantagem por parte de quem condiciona a ajuda económica à actuação de políticas contrárias à vida.

Sobretudo a SIDA, dramática causa de pobreza, é difícil combatê-la se não se enfrentarem as problemáticas morais associadas com a difusão do vírus. É preciso, antes de tudo, fomentar campanhas que eduquem, especialmente os jovens, para uma sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da pessoa; iniciativas realizadas nesta linha já deram frutos significativos, fazendo diminuir a difusão da SIDA.

Depois há que colocar à disposição também das populações pobres os remédios e os tratamentos necessários; isto supõe uma decidida promoção da pesquisa médica e das inovações terapêuticas e, quando for preciso, uma aplicação flexível das regras internacionais de protecção da propriedade intelectual, de modo que a todos fiquem garantidos os necessários tratamentos sanitários de base.

5. Terceiro âmbito, que é objecto de atenção nos programas de luta contra a pobreza e que mostra a sua intrínseca dimensão moral, é a pobreza das crianças. Quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as suas vítimas mais vulneráveis: actualmente quase metade dos que vivem em pobreza absoluta é constituída por crianças.

O facto de olhar a pobreza colocando-se da parte das crianças induz a reter como prioritários os objectivos que mais directamente lhes dizem respeito, como por exemplo os cuidados maternos, o serviço educativo, o acesso às vacinas, aos cuidados médicos e à água potável, a defesa do ambiente e sobretudo o empenho na defesa da família e da estabilidade das relações no seio da mesma.

Quando a família se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crianças. Onde não é tutelada a dignidade da mulher e da mãe, a ressentir-se do facto são de novo principalmente os filhos.



Bento XVI
6. Quarto âmbito que, do ponto de vista moral, merece particular atenção é a relação existente entre desarmamento e progresso. Gera preocupação o actual nível global de despesa militar. É que, como já tive ocasião de sublinhar, « os ingentes recursos materiais e humanos empregados para as despesas militares e para os armamentos, na realidade, são desviados dos projectos de desenvolvimento dos povos, especialmente dos mais pobres e necessitados de ajuda. E isto está contra o estipulado na própria Carta das Nações Unidas, que empenha a comunidade internacional, e cada um dos Estados em particular, a ‘‘promover o estabelecimento e a manutenção da paz e da segurança internacional com o mínimo dispêndio dos recursos humanos e económicos mundiais para os armamentos'' (art. 26) ».(6)

Uma tal conjuntura, longe de facilitar, obstaculiza seriamente a consecução dos grandes objectivos de desenvolvimento da comunidade internacional. Além disso, um excessivo aumento da despesa militar corre o risco de acelerar uma corrida aos armamentos que provoca faixas de subdesenvolvimento e desespero, transformando-se assim, paradoxalmente, em factor de instabilidade, tensão e conflito. Como sensatamente afirmou o meu venerado antecessor Paulo VI, « o desenvolvimento é o novo nome da paz ».(7) Por isso, os Estados são chamados a fazer uma séria reflexão sobre as razões mais profundas dos conflitos, frequentemente atiçados pela injustiça, e a tomar providências com uma corajosa autocrítica.

Se se chegar a uma melhoria das relações, isso deverá consentir uma redução das despesas para armamentos. Os recursos poupados poderão ser destinados para projectos de desenvolvimento das pessoas e dos povos mais pobres e necessitados: o esforço despendido em tal direcção é um serviço à paz no seio da família humana.

7. Quinto âmbito na referida luta contra a pobreza material diz respeito à crise alimentar actual, que põe em perigo a satisfação das necessidades de base. Tal crise é caracterizada não tanto pela insuficiência de alimento, como sobretudo pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fenómenos especulativos e, consequentemente, pela falta de um reajustamento de instituições políticas e económicas que seja capaz de fazer frente às necessidades e às emergências.

A má nutrição pode também provocar graves danos psicofísicos nas populações, privando muitas pessoas das energias de que necessitam para sair, sem especiais ajudas, da sua situação de pobreza. E isto contribui para alargar a distância angular das desigualdades, provocando reacções que correm o risco de tornar-se violentas. Todos os dados sobre o andamento da pobreza relativa nos últimos decénios indicam um aumento do fosso entre ricos e pobres.

Causas principais de tal fenómeno são, sem dúvida, por um lado a evolução tecnológica, cujos benefícios se concentram na faixa superior da distribuição do rendimento, e por outro a dinâmica dos preços dos produtos industriais, que crescem muito mais rapidamente do que os preços dos produtos agrícolas e das matérias primas na posse dos países mais pobres. Isto faz com que a maior parte da população dos países mais pobres sofra uma dupla marginalização, ou seja, em termos de rendimentos mais baixos e de preços mais altos.



Bento XVI
Luta contra a pobreza e solidariedade global

8. Uma das estradas mestras para construir a paz é uma globalização que tenha em vista os interesses da grande família humana.(8) Mas, para guiar a globalização é preciso uma forte solidariedade global (9) entre países ricos e países pobres, como também no âmbito interno de cada uma das nações, incluindo ricas. É necessário um « código ético comum »,(10) cujas normas não tenham apenas carácter convencional mas estejam radicadas na lei natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser humano (cf. Rm 2, 14-15).

Porventura não sente cada um de nós, no íntimo da consciência, o apelo a dar a própria contribuição para o bem comum e a paz social? A globalização elimina determinadas barreiras, mas isto não significa que não possa construir outras novas; aproxima os povos, mas a proximidade geográfica e temporal não cria, de per si, as condições para uma verdadeira comunhão e uma paz autêntica.

A marginalização dos pobres da terra só pode encontrar válidos instrumentos de resgate na globalização, se cada homem se sentir pessoalmente atingido pelas injustiças existentes no mundo e pelas violações dos direitos humanos ligadas com elas.

A Igreja, que é « sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano »,(11) continuará a dar a sua contribuição para que sejam superadas as injustiças e incompreensões e se chegue a construir um mundo mais pacífico e solidário.

Bento XVI
9. No campo do comércio internacional e das transacções financeiras, temos hoje em acção processos que permitem integrar positivamente as economias, contribuindo para o melhoramento das condições gerais; mas há também processos de sentido oposto, que dividem e marginalizam os povos, criando perigosas premissas para guerras e conflitos. Nos decénios posteriores à segunda guerra mundial, o comércio internacional de bens e serviços cresceu de forma extraordinariamente rápida, com um dinamismo sem precedentes na história.

Grande parte do comércio mundial interessou os países de antiga industrialização, vindo significativamente juntar-se-lhes muitos países que sobressaíram tornando-se relevantes. Mas há outros países de rendimento baixo que estão ainda gravemente marginalizados dos fluxos comerciais. O seu crescimento ressentiu-se negativamente com a rápida descida verificada, nos últimos decénios, nos preços dos produtos primários, que constituem a quase totalidade das suas exportações.

Nestes países, em grande parte africanos, a dependência das exportações de produtos primários continua a constituir um poderoso factor de risco. Quero reiterar aqui um apelo para que todos os países tenham as mesmas possibilidades de acesso ao mercado mundial, evitando exclusões e marginalizações.

10. Idêntica reflexão pode fazer-se a propósito do mercado financeiro, que toca um dos aspectos primários do fenómeno da globalização, devido ao progresso da electrónica e às políticas de liberalização dos fluxos de dinheiro entre os diversos países.

A função objectivamente mais importante do mercado financeiro, que é a de sustentar a longo prazo a possibilidade de investimentos e consequentemente de desenvolvimento, aparece hoje muito frágil: sofre as consequências negativas de um sistema de transacções financeiras – a nível nacional e global – baseadas sobre uma lógica de brevíssimo prazo, que busca o incremento do valor das actividades financeiras e se concentra na gestão técnica das diversas formas de risco. A própria crise recente demonstra como a actividade financeira seja às vezes guiada por lógicas puramente auto-referenciais e desprovidas de consideração pelo bem comum a longo prazo.

O nivelamento dos objectivos dos operadores financeiros globais para o brevíssimo prazo reduz a capacidade de o mercado financeiro realizar a sua função de ponte entre o presente e o futuro: apoio à criação de novas oportunidades de produção e de trabalho a longo prazo. Uma actividade financeira confinada no breve e brevíssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira.(12)



Bento XVI

11. Segue-se de tudo isto que a luta contra a pobreza requer uma cooperação nos planos económico e jurídico que permita à comunidade internacional e especialmente aos países pobres individuarem e actuarem soluções coordenadas para enfrentar os referidos problemas através da realização de um quadro jurídico eficaz para a economia.

Além disso, requer estímulos para se criarem instituições eficientes e participativas, bem como apoios para lutar contra a criminalidade e promover uma cultura da legalidade. Por outro lado, não se pode negar que, na origem de muitos falimentos na ajuda aos países pobres, estão as políticas vincadamente assistencialistas. Investir na formação das pessoas e desenvolver de forma integrada uma cultura específica da iniciativa parece ser actualmente o verdadeiro projecto a médio e longo prazo.

Se as actividades económicas precisam de um contexto favorável para se desenvolver, isto não significa que a atenção se deva desinteressar dos problemas do rendimento. Embora se tenha oportunamente sublinhado que o aumento do rendimento pro capite não pode de forma alguma constituir o fim da acção político-económica, todavia não se deve esquecer que o mesmo representa um instrumento importante para se alcançar o objectivo da luta contra a fome e contra a pobreza absoluta.

Deste ponto de vista, seja banida a ilusão de que uma política de pura redistribuição da riqueza existente possa resolver o problema de maneira definitiva. De facto, numa economia moderna, o valor da riqueza depende em medida determinante da capacidade de criar rendimento presente e futuro. Por isso, a criação de valor surge como um elo imprescindível, que se há- de ter em conta se se quer lutar contra a pobreza material de modo eficaz e duradouro.


Bento XVI
12. Colocar os pobres em primeiro lugar implica, finalmente, que se reserve espaço adequado para uma correcta lógica económica por parte dos agentes do mercado internacional, uma correcta lógica política por parte dos agentes institucionais e uma correcta lógica participativa capaz de valorizar a sociedade civil local e internacional.

Hoje os próprios organismos internacionais reconhecem o valor e a vantagem das iniciativas económicas da sociedade civil ou das administrações locais para favorecer o resgate e a integração na sociedade daquelas faixas da população que muitas vezes estão abaixo do limiar de pobreza extrema mas, ao mesmo tempo, dificilmente se consegue fazer-lhes chegar as ajudas oficiais.

A história do progresso económico do século XX ensina que boas políticas de desenvolvimento são confiadas à responsabilidade dos homens e à criação de positivas sinergias entre mercados, sociedade civil e Estados. Particularmente a sociedade civil assume um papel crucial em todo o processo de desenvolvimento, já que este é essencialmente um fenómeno cultural e a cultura nasce e se desenvolve nos diversos âmbitos da vida civil.(13)

13. Como observava o meu venerado antecessor João Paulo II, a globalização « apresenta-se com uma acentuada característica de ambivalência »,(14) pelo que há- de ser dirigida com clarividente sabedoria.

Faz parte de tal sabedoria ter em conta primariamente as exigências dos pobres da terra, superando o escândalo da desproporção que se verifica entre os problemas da pobreza e as medidas predispostas pelos homens para os enfrentar. A desproporção é de ordem tanto cultural e política como espiritual e moral. De facto, tais medidas detêm-se frequentemente nas causas superficiais e instrumentais da pobreza, sem chegar às que se abrigam no coração humano, como a avidez e a estreiteza de horizontes.

Os problemas do desenvolvimento, das ajudas e da cooperação internacional são às vezes enfrentados sem um verdadeiro envolvimento das pessoas, mas apenas como questões técnicas que se reduzem à preparação de estruturas, elaboração de acordos tarifários, atribuição de financiamentos anónimos. Inversamente, a luta contra a pobreza precisa de homens e mulheres que vivam profundamente a fraternidade e sejam capazes de acompanhar pessoas, famílias e comunidades por percursos de autêntico progresso humano.

Bento XVI
Conclusão

14. Na Encíclica Centesimus annus, João Paulo II advertia para a necessidade de « abandonar a mentalidade que considera os pobres – pessoas e povos – como um fardo e como importunos maçadores, que pretendem consumir tudo o que os outros produziram ». « Os pobres – escrevia ele – pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais próspero para todos ».(15)

No mundo global de hoje, resulta de forma cada vez mais evidente que só é possível construir a paz, se se assegurar a todos a possibilidade de um razoável crescimento: de facto, as consequências das distorções de sistemas injustos, mais cedo ou mais tarde, fazem-se sentir sobre todos.

Deste modo, só a insensatez pode induzir a construir um palácio dourado, tendo porém ao seu redor o deserto e o degrado. Por si só, a globalização não consegue construir a paz; antes, em muitos casos, cria divisões e conflitos. A mesma põe a descoberto sobretudo uma urgência: a de ser orientada para um objectivo de profunda solidariedade que aponte para o bem de cada um e de todos. Neste sentido, a globalização há-de ser vista como uma ocasião propícia para realizar algo de importante na luta contra a pobreza e colocar à disposição da justiça e da paz recursos até agora impensáveis.


Bento XVI
15. Desde sempre se interessou pelos pobres a doutrina social da Igreja. Nos tempos da Encíclica Rerum novarum, pobres eram sobretudo os operários da nova sociedade industrial; no magistério social de Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, novas pobrezas foram vindo à luz à medida que o horizonte da questão social se alargava até assumir dimensões mundiais.(16)

Este alargamento da questão social à globalidade não deve ser considerado apenas no sentido duma extensão quantitativa mas também dum aprofundamento qualitativo sobre o homem e as necessidades da família humana. Por isso a Igreja, ao mesmo tempo que segue com atenção os fenómenos actuais da globalização e a sua incidência sobre as pobrezas humanas, aponta os novos aspectos da questão social, não só em extensão mas também em profundidade, no que se refere à identidade do homem e à sua relação com Deus.

São princípios de doutrina social que tendem a esclarecer os vínculos entre pobreza e globalização e a orientar a acção para a construção da paz. Dentre tais princípios, vale a pena recordar aqui, de modo particular, o « amor preferencial pelos pobres »,(17) à luz do primado da caridade testemunhado por toda a tradição cristã a partir dos primórdios da Igreja (cf. Act 4, 32-37; 1 Cor 16, 1; 2 Cor 8-9; Gal 2, 10).

« Cada um entregue-se à tarefa que lhe incumbe com a maior diligência possível » – escrevia em 1891 Leão XIII, acrescentando: « Quanto à Igreja, a sua acção não faltará em nenhum momento ».(18) Esta consciência acompanha hoje também a acção da Igreja em favor dos pobres, nos quais vê Cristo,(19) sentindo ressoar constantemente em seu coração o mandato do Príncipe da paz aos Apóstolos: « Vos date illis manducare – dai-lhes vós mesmos de comer » (Lc 9, 13).

Fiel a este convite do seu Senhor, a Comunidade Cristã não deixará, pois, de assegurar o seu apoio à família humana inteira nos seus impulsos de solidariedade criativa, tendentes não só a partilhar o supérfluo, mas sobretudo a alterar « os estilos de vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades ».(20)

Assim, a cada discípulo de Cristo bem como a toda a pessoa de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível para ir em seu socorro. De facto, aparece como indiscutivelmente verdadeiro o axioma « combater a pobreza é construir a paz ».

Vaticano, 8 de Dezembro de 2008.

BENEDICTUS PP. XVI

terça-feira, 30 de dezembro de 2008



Em Espanha está a crescer o interesse e também o amor pela Missa Tridentina. Fotos da Missa Tridentina Cantada por Mons. Gille Wash recentemente em Madrid aquando da sua recente visita ao país vizinho


Na Igreja de S.Bartolomeu em Múrcia onde celebra a Missa Tridentina

Na Igreja das Madres recoletas Agostinhas em Gijón também se celebra a Missa Tridentina


Igreja do terceiro Mosteiro da Visitação em Madrid onde se celebra regularmente a Missa Tridentina

Nesta Capela de Nª das Mercês em Barcelona celebra-se com regularidaade a MIssa Tridentina

Na Igreja de S.Bernardo em Sevilha celebra-se todos os domingos a Missa Tridentina

Mapa de Espanha que mostra os lugares onde se celebra a Missa Tridentina e onde há fieis interessados na Missa Tridentina

Nesta belíssima Igreja de S.Tomé em Toledo se celebra todos os dias a Missa Tridentina


Fotos de Missa Pontifical Tridentina cantada em Viena de Áustria


Eis alguns extractos do prefácio, igualmente interessante, de Vittorio Messori ao livro de Mons. Nicola Bux, La Riforma de Benedetto XVI – La Liturgia tra innovazione e tradizione.

“O povo, sabe-se, é soberano, respeitado, quiçá até venerado, mas somente se aceita os esquemas da Nomenklatura política, social e também religiosa. Se não está de acordo com quem tem o poder de ‘dar a linha’, é reeducado segundo o esquema da ideologia triunfante daquele momento.”

“(...) a reforma litúrgica (mesmo se abstraindo dos conteúdos, falo agora de método) foi a menos ‘democrática’, de facto não consultou os fiéis do presente e distanciou-se daqueles do passado. Não é a Tradição, como foi dito, a ‘democracia dos mortos’? Não é ‘dar a palavra’ aos irmãos que nos precederam?” (Chesterton o disse)


Mons.Bux
“Entre os fiéis desorientados houve os que, não podendo agir de outra forma, ‘votaram com os pés’, no sentido de empregá-los aos domingos para irem a outros lugares e não ao culto, que não mais consideravam seu.”

“(...) a revolução que eu via na prática eclesial não parecia ter nada a ver com o prudente reformismo recomendado pelos Padres .”

“É preciso trabalhar, nos recorda também o autor destas páginas, para despoluir tantas mentalidades – talvez sem que nem mesmo se apercebam – desviadas, ajudando-as a recuperar aquilo que os alemães chamam die katholische Weltanschauung, a perspectiva católica.”


Mons. Bux
“(...) a referência à paciência é porque é uma das chaves interpretativas do magistério de Bento XVI, como bem sublinha também este livro.”

“(...) a restauração da Domus Dei depois de uma das tantas tempestades de sua história. Um projecto longamente meditado e que agora Bento XVI está realizando com coragem e com prudência porque nele, como diz Mons. Bux, opera a ‘paciência do amor’.

Amor por Deus e para sua Igreja, certamente; mas também pelo homem pós-moderno, para ajudá-lo a redescobrir no culto litúrgico o encontro com aquele que se definiu ‘caminho, verdade e vida.”

Fonte:Oblatvs



O bispo Peter J.Elliot em recente visita a Hong Kong ali deu uma conferência sobre o novo movimento litúrgico suscitado pelo Papa Bento XVI com o Motu Proprio Summmorum Pontificum e naquela visita celebrou solene Missa Pontifical Tridentina como podemos ver nas fotos.

Fonte:New Liturgical Movement

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008



Mons. Guido Marini, quem foram os seus mestres?

“Quando ingressei no seminário era arcebispo o Cardeal Giuseppe Siri. Fui ordenado sacerdote pelo Cardeal Canestri. Sete anos como secretário de Canestri e sete com o Cardeal Dionigi Tettamanzi. O Cardeal Tarcísio Bertone me nomeou responsável pelo ofício das escolas da arquidiocese, director espiritual no seminário onde ensinava direito canônico. Depois chanceler da cúria e prefeito responsável pela catedral. Com o Cardeal Tettamanzi dei os primeiros passos como cerimoniário”.

“Liturgia, cume da vida da Igreja, tempo e lugar da relação profunda com Deus”, como diz Bento XVI. De onde lhe veio este amor pela liturgia?

“Foi um amor juvenil no sentido que minha vocação tem as suas raízes na liturgia; o amor pelo Senhor foi também um amor pela liturgia como lugar do encontro com o Senhor. Em Gênova sempre houve um importante movimento litúrgico”.
Suponho que tenha sido o Cardeal Tarcisio Bertone, tornado Secretário de Estado da Santa Sé, que propôs o seu nome a Bento XVI.

“Sim, a proposta me chegou através do Cardeal Bertone. ‘O Papa – me disse – está pensando no teu nome’”.
Com o Papa bávaro, estamos assistindo a uma operação de mudança do estilo litúrgico ou a alguma coisa mais profunda?

“É alguma coisa de mais profundo na linha da continuidade, não da ruptura. Há um desenvolvimento no respeito à tradição”.
Desde sua chegada as mudanças ou correcções começaram. Algumas imperceptíveis, outras mais vistosas.

“A mudança é diversificada. Uma foi a colocação do crucifixo no centro do altar para indicar que o celebrante e a assembléia dos fiéis não se olham mutuamente, mas juntos olham para o Senhor que é o centro da sua oração. Outro aspecto é a comunhão dada aos fiéis de joelhos pelo Santo Padre e distribuída na boca. Isto para evidenciar a dimensão do mistério, a presença viva de Jesus na Santíssima Eucaristia. Também a atitude e a postura são importantes porque favorecem a adoração e a devoção dos fiéis”.

O Papa Bento é o primeiro Papa que não tem a tiara no seu escudo. Mudou o pálio do início de seu ministério apostólico e abandonou o característico báculo, do artista Scorzelli, dada pelos milaneses a Paulo VI. Aquele báculo em forma de cruz foi usado também pelo Papa Luciani e por João Paulo II. O Papa Ratzinger escolheu uma férula. Uma simples cruz.


Mons.Marini
“Como o senhor disse, o báculo papal é a férula, a cruz sem o crucifixo, dando a esta um uso mais costumeiro e habitual, e não apenas extraordinário. Ao lado de tais considerações se impôs uma questão prática: um báculo o mais rapidamente, e o encontrámos na sacristia papal”.

Já acenámos para a introdução do silêncio na missa. Em Roma, no centro da cristandade, as liturgias aparecem na sua esplêndida solenidade. E a língua de Cícero, o latim, supera todas. Depois se pensa em antecipar o sinal de paz e numa saudação final diferente por parte do celebrante. A intenção é recuperar plenamente o carácter não arbitrário do culto. A criatividade e espontaneidade como uma ameaça.

“Não serei tão drástico e nem mesmo me agrada a expressão, usada por alguns, ‘saneamento litúrgico’. É um desenvolvimento que valoriza ulteriormente aquilo que fez egregiamente e por tantos anos, como mestre das celebrações litúrgicas pontifícias, o meu predecessor, o bispo Piero Marini.

As questões que o senhor destaca acerca do deslocamento do sinal de paz ou outras não competem ao meu ofício mas sim à Congregação para o Culto Divino e ao novo prefeito, o Cardeal Antônio Cañizares. É meu dever empenhar-me para realizar de modo exemplar a unidade e a catolicidade da todos aqueles que participam das celebrações da Santa Missa papal”.

Quando veremos o Papa Bento celebrar a missa em latim segundo o rito romano extraordinário, o de São Pio V? Eu, pessoalmente, interpretei o ‘motu proprio’ como um ato de liberalidade, de abertura, não de fechamento.

“Não sei. Muitos fiéis aventam esta possibilidade. O Papa decidirá, se o julgar oportuno”.


Mons.Marini
Na “Exortação Apostólica” pós-sinodal sobre a liturgia, Joseph Ratzinger se deteve sobre muitos aspectos. Propôs até que as igrejas sejam voltadas para o oriente, para a Cidade Santa de Jerusalém. Ele, faz um ano, celebrou a missa na Capela Sistina com de costas para o povo. Quem lhe propôs?

“Eu lhe propus. A Capela Sistina é um baú de tesouros. Parecia uma violência alterar-lhe a beleza construindo um palco artificial, postiço. No rito ordinário, este modo de celebrar “de costas para o povo” é uma modalidade prevista. Porém sublinho: não dá as costas ao povo, mas sim celebrante e fiéis estão voltados para o único ponto que conta que é o crucifixo”.

“O Papa veste Cristo, não Prada” se leu no “L’Osservatore Romano”. O ‘look’ de Bento XVI impressiona e intriga. Paramentos, mitras, cruzes peitorais, cátedras sobre as quais se senta, mozetas e estolas. Estamos diante de um Papa elegante. É uma invenção jornalística?

“Simplesmente dizer ‘elegante’, na linguagem de hoje, pareceria significar um Papa que ama aspectos exteriores, mundanos. Um olhar atento adverte que há uma busca que concilia tradição e modernidade. Não é a lógica de um impraticável retorno ao passado más é um reequilíbrio entre passado e presente. É a busca, se prefere, de beleza e harmonia, que são revelação do mistério de Deus”.


Mons Marini
O que veremos nos Camarões e em Angola? As liturgias africanas são pitorescas, populares, onde existe uma totalidade que se exprime inclusive com a dança e os tambores. O senhor será posto à prova...

(Risos) “Só agora estamos preparando a viagem. Procuraremos pôr junto com as tradições locais aquilo que vale para todas. Com sua simples presença o Papa manifesta a Igreja, uma, santa, católica. Acharemos a síntese entre aquilo que une a Igreja, no rito romano, e os aspectos típicos e sensibilidades culturais. Inculturação da fé e da liturgia e dimensões universais”.

A liturgia é um sedimento, um patrimônio milenar. O missal é entrecortado de citações da Bíblia aos Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente. Salmos responsoriais, orações ou coletas, o sacramentário que é a parte central da missa. É um patrimônio intocável. Cada vez que há uma celebração o senhor consulta o Papa?

Que tipo de comunicação há?

“Muito simples. O Papa é consultado nas coisas relevantes e antes de uma celebração tem todos os textos. Ordinariamente, lhe enviamos notas escritas e ele responde por escrito, de seu punho”.


Mons.Marini
O senhor está fazendo uma experiência forte e extraordinária. Episódios que lhe tocaram?

“Sim,é uma experiência forte. Tocou-me a viagem do Papa aos Estados Unidos. Sendo minha primeira viagem internacional com o Santo Padre, havia um sabor de novidade. Uma viagem emocionante pelo afecto e o calor, pelo clima espiritual. E me tocou a entrega do pálio, em junho, aos metropolitas. Um metropolita dirigiu-se assim ao Papa, de joelhos: ‘Padre Santo, venho de uma diocese em que o meu predecessor sofreu o martírio pela fé. Reza por mim para que também eu possa ser um mártir’. Compreendi ainda mais o que significa ser Igreja”.

Há grande sintonia, feeling, entre o senhor e o Papa?

“Da minha parte é absoluta.”

Como definiria o Papa Bento XVI, o senhor que tem a fortuna de estar a seu lado?

“Une a uma excepcional grandeza intelectual uma enorme simplicidade e doçura. É um traço característico de sua figura espiritual e humana. É uma realidade que verifico e toco com as mãos. O fato de estar próximo do Papa, deste Papa, é uma grande graça para o meu sacerdócio”.
Fonte: Oblatvs

domingo, 28 de dezembro de 2008


Estas 28 fotos são como um pequeno álbum da Liturgia Tridentina nos U.S.A. onde cada domingo se celebram mais de 280 Missas Tridentinas em todo o país.


















Fotos de Missas Tridentinas nos Estados Unidos da América